06 de Abril de 2015

A morte das entrevistas presenciais



As entrevistas “face-to-face” estão sob forte ataque das entrevistas em vídeo – basta olhar para as estatísticas. Uma importante empresa de pesquisas americana reportava que se em 2011 somente 10% das empresas utilizavam entrevistas em vídeo, este número saltou para 42% em 2012! Já a CNBC, um canal de assinatura dedicado a notícias de negócios, reportou que 63% das empresas já usavam entrevistas em vídeo no inicio do ano passado. Seguindo as tendências, é muito provável que este número seja ainda maior hoje.

Já que as entrevistas em vídeos estão em destaque, a pergunta é: as entrevistas presenciais morrerão sendo substituídas pelas opções mais baratas e flexíveis das entrevistas em vídeo?

Se isto ocorrer, entendo que será um processo gradual. As entrevistas em vídeo já se tornaram culturalmente aceitas para as fases iniciais dos processos de seleção e poderiam muito bem se tornar a norma. No entanto as entrevistas finais e que envolvam negociações ainda são realizadas presencialmente. Os recrutadores ainda sentem necessidade deste tipo de contato para fazer as conexões emocionais e psicológicas para avaliarem plenamente os candidatos.

Com o tempo, no entanto, as entrevistas em vídeo podem se tornar a norma mesmo para as fases mais avançadas dos processos de seleção. Os avanços tecnológicos, como a banda larga, 3G, 4G, a tecnologia HD, LED, OLED têm ajudado a reduzir a “tecnofobia” no mundo, preparando o palco para uma adoção generalizada de entrevistas em vídeo em todas as fases dos processos de recrutamento e seleção.

Poderá a tecnologia permitir que todas as fases do processo de seleção sejam feitas através de vídeos utilizando, por exemplo, projeções holográficas em 3D de candidatos?

Muitos podem pensar: mas, isto é coisa de ficção científica! Não exatamente: projeções holográficas em 3D já é uma realidade e está entre nós. Embora ainda não esteja disponível nas lojas, você pode esperar esta tecnologia presente nas estratégias corporativas de videoconferência ao longo da próxima década. Um professor de uma grande universidade canadense e sua equipe tem preparado um modelo cilíndrico 3D de um ser humano usando pouco mais do que os sensores do Microsoft Kinect (aquele utilizado em jogos!), um projetor 3D, um cilindro de acrílico translúcido com 1,8 metros de altura e um espelho convexo.

Agora, imagine se os recrutadores puderem acessar essas projeções em 3D holográficas de seus entrevistados remotamente. Eles poderão ver movimentos de corpo inteiro dos candidatos e avaliar a sua linguagem corporal - algo que está um pouco comprometido em entrevistas de vídeo 2D.

Especialistas acreditam que é apenas uma questão de tempo – entre  5 e 10 anos a tecnologia de projeção holográfica 3D deve estar na esfera corporativa. Quando isso acontecer, poderemos ver 70, 80 ou até mesmo 90 por cento das entrevistas da primeira fase do processo sendo realizados pela projeção em 3D. Imagino também que será alta a porcentagem de entrevistas finais via tecnologia holográfica, especialmente em situações em que os funcionários irão trabalhar remotamente em diferentes cidades.

Tudo isso dito, sinto que há pouca chance da entrevista “cara a cara” morrer completamente. Ainda assim, a entrevista de vídeo 3D pode tornar-se uma prática cada vez mais comum, assumindo a maior parte do espaço normalmente reservado para a entrevista presencial.

Escrito por Renato Tavares